A gente nem percebe como o tempo passa rápido. Ontem tomei um susto com a minha memória lendo um post do Tony sobre o incrível lançamento do box de Queer as Folk, que passava aqui no Cinemax à meia-noite de sexta-feira, com reprise às três da manhã, lá pelos idos anos de 2001/2002.
Já falei até a alguma coisa aqui sobre isso, mas não custa repetir.
Naquela época, eu começava minha gaylife, pegava os primeiros carinhas (sim, neste quesito eu demorei um pouco) mas só alguns anos depois, já com 19, saí das sombras do armário para a luz da boate e estreei na vida noturna gay. (Menos de um ano depois eu contaria tudo em casa - ou seria obrigado a contar, na verdade -, mas isso é história pra outro post).
Lembro de uma reportagem da Veja falando do sucesso e repercussão nos EUA, com essa clássica foto de todos os personagens de mãos dadas, o que despertou a minha curiosidade.


Pois eu tinha DirecTV em casa e esse passou a ser o programa imperdível do fim-de-semana.
Assim, o ritual era o mesmo: naquele horário, meus pais normalmente já estavam dormindo e após certificar que a porta do quarto deles estava fechada, ligava a TV de 29" da sala, deitava no sofá, aumentava o som - sempre com o controle remoto na mão caso alguém acordasse - e curtia horrores aquele mundo completamente desconhecido - das jogações às gírias, passando pelas fodas, drogas, músicas, corpos, preconceitos e lutas. Da pulseira de búzios de Brian até o dark room da Babylon, tudo era novidade pra mim.
Às vezes, quando alguém estava acordado nesse horário, meu quarto servia de esconderijo. Claro que numa TV menor eu achava tudo muito menos divertido, mas não menos interessante. E qando era impossível ver algum capítulo, programava o video e gravava a reprise em VHS pra assistir depois.
Fato é que com tantas cenas de sexo demoraaaadas, alguém deve ter me pego vendo o seriado e achado que era um pornô gay....
Eu cresci, vi e aprendi muita coisa com uma simples série de TV.
Sem dúvida, as épocas de descobertas são as melhores, concordam?
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Acabei lembrando que um dos carinhas com quem fiquei naqueeeeeela época me perguntou uma vez:
- Você curte noites...hum...temáticas?
Claro que eu fiz a Sandy Virgem e só expressei a cara de "Que diabos é isso?" porque não fazia idéia do que ele estava falando.
Só aí me foi explicado que essas eram as noites GLS.
Só aí me foi explicado que essas eram as noites GLS.
Tempos depois, lendo alguma coisa em algum lugar, uma bee de São Paulo perguntava e chochava algo do tipo "o pessoal do Rio continua usando aquela cafonice de "noites temáticas" pra se referir à noite gay?"
Realmente, um dia a cafonalha existiu.
Mas ainda bem que isso acabou, né?
