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quinta-feira, abril 23, 2009

Coração de Pedra

Já dizia Waldick Soriano, rei do brega: Quem eu quero não me quer. Quem me quer mandei embora.

Ontem, conversando com um amigo, reafirmamos a seguinte conclusão: não gostamos de quem nos dá muita atenção, mas sim de quem dá aquela pontinha de desprezo e faz aquele joguinho de charme que parece infantil, mas é extremamente necessário. Ele vive uma situação típica: tem belos partidos aos seus pés que chegam a prometer mundos e fundos, mas foge naquela desculpa de que “não está na hora” ou “não é a pessoa certa”. Contraditoriamente, com certa freqüência aparecem caras que o fazem mudar de idéia e abrir a guarda pra um possível relacionamento, mas que acabam se afastando dentro de algum tempo.

Levantei a hipótese se não estaria ele indo com muita sede ao pote e assustando essas tais pessoas, mesmo que inconscientemente. Ele garante que não, mas refletiu se não era mesmo isso que estava ocorrendo.

De qualquer forma, a minha opinião é que relacionamento é um encontro de vontades e um alinhamento de desejos. Não adianta o outro querer muito e você não. E nem adianta ser a pessoa perfeita, você achará um defeito para evita-la, claro.

Mas isso todo mundo já sabe e, no egoísmo máximo, é fácil lidar. O difícil é quando você está a fim e o outro não. Descobrir onde termina o seu ego ferido ou seu espírito conquistador e começa a paixonite verdadeira por alguém é tarefa para muitas e muitas reflexões.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Capa do Mês


Falando nisso, essa é a capa deste mês da mais importante revista gay espanhola, a Zero, com uma mega entrevista com o primeiro-ministro do país.

Dessa vez, às vésperas da próxima eleição que ocorre por lá no dia 9 de março, o socialista José Luís Zapatero fala sobre os avanços nos direitos gays na Espanha - mesmo tendo enfrentado duras críticas da Igreja, o país foi o terceiro na Europa a aprovar o casamento, legalizando ainda a adoção de crianças por casais gays e garantindo o direito à mudança de sexo – e alerta sobre a possibilidade de se dar um passo atrás nas políticas de igualdade do governo caso o conservador Partido Popular vença.

A pergunta é: será que um dia teremos um grande político, candidato a cargo majoritário, falando abertamente sobre esse tema e assumindo uma posição séria, independente das críticas da sociedade?
Quem sabe...

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Let´s get soaken wet

A gente nem percebe como o tempo passa rápido. Ontem tomei um susto com a minha memória lendo um post do Tony sobre o incrível lançamento do box de Queer as Folk, que passava aqui no Cinemax à meia-noite de sexta-feira, com reprise às três da manhã, lá pelos idos anos de 2001/2002.
Já falei até a alguma coisa aqui sobre isso, mas não custa repetir.

Naquela época, eu começava minha gaylife, pegava os primeiros carinhas (sim, neste quesito eu demorei um pouco) mas só alguns anos depois, já com 19, saí das sombras do armário para a luz da boate e estreei na vida noturna gay. (Menos de um ano depois eu contaria tudo em casa - ou seria obrigado a contar, na verdade -, mas isso é história pra outro post).

Lembro de uma reportagem da Veja falando do sucesso e repercussão nos EUA, com essa clássica foto de todos os personagens de mãos dadas, o que despertou a minha curiosidade.
Pois eu tinha DirecTV em casa e esse passou a ser o programa imperdível do fim-de-semana.

Assim, o ritual era o mesmo: naquele horário, meus pais normalmente já estavam dormindo e após certificar que a porta do quarto deles estava fechada, ligava a TV de 29" da sala, deitava no sofá, aumentava o som - sempre com o controle remoto na mão caso alguém acordasse - e curtia horrores aquele mundo completamente desconhecido - das jogações às gírias, passando pelas fodas, drogas, músicas, corpos, preconceitos e lutas. Da pulseira de búzios de Brian até o dark room da Babylon, tudo era novidade pra mim.

Às vezes, quando alguém estava acordado nesse horário, meu quarto servia de esconderijo. Claro que numa TV menor eu achava tudo muito menos divertido, mas não menos interessante. E qando era impossível ver algum capítulo, programava o video e gravava a reprise em VHS pra assistir depois.

Fato é que com tantas cenas de sexo demoraaaadas, alguém deve ter me pego vendo o seriado e achado que era um pornô gay....

Eu cresci, vi e aprendi muita coisa com uma simples série de TV.
Sem dúvida, as épocas de descobertas são as melhores, concordam?

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Acabei lembrando que um dos carinhas com quem fiquei naqueeeeeela época me perguntou uma vez:
- Você curte noites...hum...temáticas?

Claro que eu fiz a Sandy Virgem e só expressei a cara de "Que diabos é isso?" porque não fazia idéia do que ele estava falando.
Só aí me foi explicado que essas eram as noites GLS.
Tempos depois, lendo alguma coisa em algum lugar, uma bee de São Paulo perguntava e chochava algo do tipo "o pessoal do Rio continua usando aquela cafonice de "noites temáticas" pra se referir à noite gay?"

Realmente, um dia a cafonalha existiu.
Mas ainda bem que isso acabou, né?

quinta-feira, junho 21, 2007

Minutos de sabedoria

Como diz o Sergio Ripardo, senta que lá vem história.

Pra tentar explicar meu estado de espírito hoje - e pra todos aqueles que ainda estão buscando um lugar ao sol - vai uma historinha que me contaram.

No zoológico, tinham dois leões, lindos e poderosos.
Um deles só comia carne, o outro só comia banana.
Daí que um dia o leão que só comia banana, intrigado com aquela situação, perguntou ao tratatdor:
- Olha. Por que só me dão banana? Sou tão importante quanto o outro leão, mas nunca nem sinto o cheiro da carne...
- É que, no organograma do zôo, você está no lugar do macaco. E por isso, você só pode comer banana.

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A pergunta que não quer calar:

Até quando vamos comer banana?