quarta-feira, janeiro 02, 2008

Tudo vale a pena

Ai, juro que não acredito que 2008 já começou. Voltar a trabalhar tão cedo não estava nos meus planos...esses diazinhos de férias passaram tão rápido, dá até dor no coração.

Esse reveillon foi bem peculiar, já que há séculos eu estava afastado da festança de Copa. Acabei chegando tarde com aquele trânsito pesado e 11:30 descemos para ver os fogos e fazer todos os pedidos pra esse ano.
O fervo das noitadas também foi grande, mas confesso que fiquei um tanto quanto esgotado e acabei não acompanhando toda a função diante de tantas opções pra quem estava no Rio. Faltou disposição nas cinco velocidades.

Resumindo, foi tudo bem divertido, com momentos deliciosos e inesquecíveis. Ficou o cansaço que me fez dormir durante toda a tarde de ontem, sobrou o certeza de que essa cidade é mesmo maravilhosa mas que o melhor de tudo é ter amigos e amores sempre por perto nos 365 (366, que esse é bissexto) dias do ano.

Vamos ao que interessa.

Sexta-feira
Alegria in Rio


Na sexta, o Cais do Porto era o destino mais falado. A segunda edição da Alegria dividiu o povo que não sabia o que esperar depois daquela experiência do reveillon passado. Muita gente resolveu não dar crédito, muita gente apostou na correção de todos os defeitos.

A idéia da decoração foi bem interessante: Ric Sena criou uma piscina de mentirinha para as bees dançarem como se estivéssemos no fundo vendo bonecos e gogoboys nadadores. Esse tipo de decoração cenográfica é comum nas edições novaiorquinas da festa - afinal, Ric é produtor teatral – com temas como Piratas do Caribe e Floresta Tropical, com direito a embarcações, muitos coqueiros e araras. Aqui, esse tipo de decoração é raro, já que a gente prefere os efeitos de infláveis a objetos temáticos. Justiça seja feita, a Bitch é a única que os utiliza com frequência e muitas vezes acerta no alvo (lembro de uma japonesa lindíssima no Terra Encantada, além daquela Europop na Fundição com uma Torre Eiffel e um Coliseu babadex).
Teria sido um arraso se não fosse um motivo: faltou adaptação ao gigante espaço do Cais, já que o que existia ficou restrito à tal pista de dança, enquanto o restante do armazém estava sem um elemento decorativo sequer – nem no lounge, nem na área externa.

De cara, estranhei a posição do DJ, de frente pra pista mas de costas pro restante da festa. Abel, aliás, cumpriu seu papel, mas ficou longe do que já ouvimos algumas vezes com Rosabel e ainda mais distante do que conhecemos dos seus long sets.
Confesso não ter visto a performance da tia cantora – estava lá fora quando um amigo avisou que tinha “uma amapô cantando” – que não faço nem idéia de quem era.

Apesar de uma edição que funcionou sem maiores problemas – filas, bares, banheiros, ventilação ok – dessa vez faltou vibe, fator que sobrou no ano passado garantido pelo disse-me-disse que envolveu a festa, mesmo com tanta confusão. Esse ano, morno é a palavra exata pra definir o espírito do povo.

E vamos combinar que com os ingressos mais caros da temporada – 80 antecipado, 100 na hora – falta alguma coisa pra realmente valer a pena. É duro se firmar no calendário da cidade.
Boa pra abrir o fim de semana, boa pra dar uma esquentada, mas não tão boa pra se tornar a festa mais querida dos cariocas.
(pic by CenaCarioca)

Sábado
R:evolution Open Air


Depois de mais um esquenta bombante na maison carioca de Tony e Oscar, com direito à coleção de Absolut, partimos em direção à Lagoa.
Olha...a dúvida de onde ir no sábado tomou conta da gente durante todo esse tempo. Muitos diziam TW, muitos confiavam no poder de Rosane.
Depois que eu fui procurar os antecipados da R:evolution em Ipanema e encontrei tudo esgotado, confirmei a minha tendência de me jogar pela Zona Sul e conferir as novidades da festa.

Bom, chegamos por volta de 1:30 e a Escola de Remo do Flamengo estava completamente lotada. O local tem uma vista incrível, com Cristo, Lagoa e a árvore, mas uma infraestrutura que deixou a desejar.

A cobertura de plástico que Rosane providenciou para uma possível chuva fez o local ficar insuportavelmente abafado, os chuveiros utilizados como sanitários eram de um amadorismo dispensável, a decoração (infláveis, globos, telões, leds, corações, bananeiras e papel crepon) estava um tanto quanto poluída e o chão de cimento irregular, com direito à areia, era horroroso pra dançar. Os grandes bares, que pareciam barracas de quermesse, e os quiosques da Absolut e Temakeria foram as poucas coisas que salvaram. Destaque também para aquela bee performática da noite carioca, num modelito branco-Iemanjá-vestido-de-noiva, que rodopiava loucamente na pista, parava e fazia o catwalk.
Pra surpresa geral (menos minha, que já sabia), os pedalinhos e lancha eram pagos. Anunciados no flyer sem essa observação, valiam 20 reais por cabeça.

Vale dizer que assim que entramos, ouvi um “a The Week é questão de tempo”, mas não pensei que fosse ser em tão pouco tempo. Aliado às mensagens live from Sacadura que pipocavam nos celulares com “isso aqui ta lotado!”, o “Partiu The Week?” tomou conta da boca do povo e às 3 eu já estava estrategicamente localizado na saída da festa, esperando a Grande Rio entrar pra dar uma sambadinha com a Grazi... Mas nem rolou. O calor, que aumentava a cada minuto, foi me deixando agoniado e meia hora depois desistimos de fazer a porta-bandeira e batemos em retirada.
Claro que o DJ Fist Fucking contribuiu pra minha vontade de ir embora: parecia que o moço estava na cozinha, de tanta bateção de panela. Fiquei zonzo e turvo com aquela barulheira toda.

Tá que quem chegou mais tarde na The Week garantiu que a festa deu uma melhorada significativa depois que o DJ Fist Fucking saiu, a bateria entrou com Flavio Lima e Twisted Dee acabou salvando a noite.
Sinceramente, torço pra que isso tenha realmente acontecido porque, afinal de contas, eu apostei no novo local e acabei saindo bastante decepcionado.
Sem ventiladores, muita disposição e um bom DJ, não dá.

The Week Rio

Se o Ítalo disse que da TW pra Fundição é como cair em um buraco, sair da Revolution para a TW é como ir das trevas à luz: ar-condicionado potente, staff atencioso e sound system preciso.
Pegamos o início do set do Chris Cox, mais conhecido como DJ Zé Gordinho, que já estava animado com o público do Rio quando bateu papo com o Estefanio na vip da Alegria.
Com a casa com todos os seus ambientes completamente lotados, o DJ fez aquele seu som tradicional, pra cima, cheio de hits (Free, Hurt e Whitney – momento Houston, you have a problem – não faltaram) e simpático até dizer chega, agradecendo “Obrigado, Rio” com sorrisão de André Almada e pista completamente fervida.

Do janelão do lounge dava pra ver o DJ destruindo o povo. Eu, que estava com pouca disposição pra aglomeração, passei quase todo o tempo na vip (que estava aberta, diga-se) miacabando no som do cara.

< abre parênteses >

Momento uó da noite: assim que chegamos, fomos cruzar a pista inteira pelo lado esquerdo, em direção ao banheiro, como sempre fazemos. Na altura do final do balcão do bar, o namorado parou de repente e gritou que tinham roubado o celular dele de dentro do bolso da frente da calça. Paramos na mesma hora, começamos a procurar loucamente no chão e eu liguei em seguida. Ele, que não é bobo (e nem estava louco, diga-se), olhou para o lado na mesma hora e percebeu um cara alto por perto. No que disse isso pra mim, segundos depois, fomos em cima do cara e o aparelho apareceu no chão da pista, entre os pés do tal cara e da mulher que estava com ele.

Claro que eu não fui embora sem antes gritar um “filho da puta desgraçado” na cara do filho da puta desgraçado, mas deveria ter chamado o segurança e apontado os dois – falha minha.

Depois, vim saber que os casos de furto foram muitos naquele sábado – e em outros dias da TW, observado o fato de uma amiga já ter perdido o Nextel de dentro da bolsa num empurra-empurra na entrada.

E não é só lá que andam acontecendo esses tipos de coisa, o que fez até O Globo publicar uma reportagem há bem pouco tempo sobre furtos de bolsas, câmeras e celulares em boate de playboys da Barra. Minhas primas micareteiras já cansaram de perder dinheiro e aparelhos (uma já até levou um soco no olho) nesses eventos.

Assim... sabemos que não dá pra controlar a frequência mal intencionada. Sabemos que não dá pra casa vigiar as atitudes de todos os freqüentadores. Louvamos a disponibilização de guarda-volumes para os clientes. Apesar disso tudo, alguma coisa está errada quando você tem seu celular no bolso (não estava em cima do balcão enquanto fomos buscar uma bebida ou caído no chão da boate), não está bêbado ou louco, e mesmo assim alguém tem a coragem de puxá-lo na mão grande.
Tenho o direito de levar o que quiser pra pista, já que boate é lugar de diversão, não de preocupação.

Namorado e eu, com certeza, gastamos no sábado mais do que o suficiente para comprar um bom aparelho de celular – e assim fazem as minhas primas quando compram os famigerados abadás da Ivete – e necessitamos de seguranças não só pra passar detector de metal, separar briga ou carregar gente em coma.
Manter a nossa integridade física – e isso inclui nossos bens materiais - é essencial. Do contrário, daqui a pouco teremos carteiras, cordões e relógios batidos por usuários de crack como se estivéssemos na Cinelândia ou na Praça da Sé.

Ah! E Deus me fez um pouco mais baixo e sem porte de arma não foi à toa. Já sou naturalmente esquentado, imaginem numa situação dessas.
Mas eu vou lutar boxe e aí vocês vão ver.

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Domingo
X


Eu apostei na X Demente. Muita gente não. A Fundição Progresso, tradicional locação da festa, parece já não ser tão tradicional assim: festa meia-bomba, cheia mas não lotada. Nem o caldeirão lembrava seus áureos tempos.

A decoração, porém, era absurda e de longe a mais bonita que vi nas três labels. Na entrada, o painel temático da Check In, dessa vez com um mapa-mundi gigante. O primeiro andar contava com uma cortina preta enorme com o símbolo da festa e luzes brancas piscantes que lembravam um céu estrelado. Os tradicionais pufes com lustres também estavam lá. A pista 2 tinha lindas luminárias vermelhas, enquanto o terraço – que finalmente voltou a existir! – contava com aquelas bandeirinhas coloridas. No caldeirão, o DJ foi transferido pro palquinho à direita e os telões tomaram conta da lateral da pista.

A seqüência de jogações consecutivas, culminando com a pool diurna da TW no mesmo dia, acabou por afugentar o público. Vi muito gringo e muita gente guerreira, a maioria turista, enquanto eram raros os tradicionais rostos conhecidos da noite. Senti falta das bunitas cariocas.

Apesar disso, a festa estava boa, sem confusões pra dançar e uma excelente vibe.
A dupla novaiorquina estava inspirada e acredito que Mike Cruz tenha se estabelecido como residente, apesar de ter feito um set de altos e baixos. Lembro que só ele na cabine não carrega ninguém e, claro, Ana Paula fez falta no lineup pra que rolasse uma identificação com o público.

Fiquei pensando se essa tradicional locação da festa não está, na verdade, com a fórmula um tanto quanto esgotada. Eu mesmo, apesar dos incontáveis momentos incríveis vividos ali, fico um pouco cansado da Fundição, seus fios passando pelo caminho, poças d’agua e banheiros velhos. Até o estacionamento, que te obriga a andar muito e atravessar a rua, não é nada agradável.
Hoje, a cara da X deixou de ser a Lapa e passou a ser a Marina da Glória, mais chique, interessante, confortável, segura, divertida e que permite uma festa muito mais redonda, principalmente com o horário de término beirando às 7 da manhã.

O que faltou

Não consegui forças pra me jogar em nenhuma pool party, mas soube que tanto a Rosane quanto TW tiveram ótimos públicos e ótimos momentos.
Do mesmo jeito foram as muitas opções da virada, todas maravilhosas, nas palavras das amigas fervidas. After, então, nem passei na porta.

Com a qualidade da casa da Saúde, faltou uma label party à altura: a edição da E.njoy desse reveillon não rolou, mas espero que um ótimo DJ faça a nossa felicidade no Carnaval.

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2008 chegou chegando.

9 comentários:

ludo diniz disse...

Aqui em sp os prazos ainda estão suspensos, então só volto ao trabalho na segunda.
Sobre o fervo, estou começando a ficar arrependido de não ter passado o ano no Rio.

Estefanio disse...

Carnaval tá aí!
Carnaval tá aí!

CARIOCA VIRTUAL disse...

resumão perfeito! obrigado.

Alex disse...

A X-demente de carnaval tb tinha a decoração mais bonita, mas faltou vibe. A fundição é um dos problemas. O outro a falta de grandes atrações prum público que ja foi quase metade da X: os "modernos", que não pisam mais lá. O terraço já teve Mau-Mau no auge, já teve uma edição histórica( a mesma em que o Peter Rauhofer tocou pela 1a vez no caldeirao) com um cara tocando sax, um luxo! Agora colocam djs dos clubinhos cariocas la e juraaaaaaaaammmm que alguem pagaria 70 reais pra ouvi-los.
Mas a Marina tb já está desgastada. Diferente da fundição , onde sempre inovam na decoracao, na Marina nao ha mto o que se fazer...é sempre akeles teloes em volta da pista que ja cansaram. A solucao pra X é mudar de vez a locacao e investir em djs internacionais na pista 2 tb. Era o diferencial da festa ter 2 publicos misturados que se perdeu. A TW pode ter o conforto que for mas é 99% barbies que curtem tribal e só. Ela nao tem o publico que ja teve a Xdemente. E nenhuma outra label ate hoje tem conseguido fazer essa mistura que a X fazia de modernos e barbies.

Alexandre Lucas disse...

TW Rio : orgulho de morar em SP e de contar com empresários como o Almada :)

lib disse...

que bapho essas Elzas de celular. roubar Nextel é foda!

anyway, boa entrada (he he) e quero te ver logo. sódades, sódades.

beijinhos
lib

Clebs disse...

Foi vc que me added no MSN??? Eu nem sei... Apreceu um Gui e não sei se é vc ou o de VIX.

Essa do cel do seu namorado foi o absudo da cara-de-pau! Imagina se o cara rouba outra coisa do bolso da frete!!!! Uia! HAHAHAHA

fim de ano realmente babadex!!!

bjs!

Anónimo disse...

pit bul rei! issu mesmu, mordi essas bixas elzeras e pobrinhas.

introspective disse...

Gui, mandou muito bem no resumo. Perfeito mesmo. Eu adorei a precisão com que vc descreveu a R.Evolution - não quis ser detalhista a esse ponto porque prometi posts mais curtos em 2008, mas vi que escrever mais às vezes é bem mais divertido.

E achei uma pena a X ter feito uma festa boa para as moscas. Concordo inteiramente com o comentário do Alex: a X se consagrou com um mix interessante das barbies mais gostosas e dos modernos mais descolados, e empobreceu justamente quando resolveu se limitar a uma festa barbie (ou seja, escolhendo Ana Paula como seu novo rosto).

Sinceramente, acho que os modernos não voltarão à X nunca mais. Fábio perdeu os caras que traziam esse povo (Rossoni, Fellipe etc.) e uma label de qualidade (a Moo) surgiu para abocanhar esse público.

Pra piorar, como festa barbie a X acabou sendo engolida pela TW e até mesmo pela E.njoy, que conseguiu no Vivo Rio uma locação muito mais imune a micos técnicos do que a Fundição e a Marina.

Talvez a solução seja ele focar mesmo em Brasília e BH, onde as festas dele ainda têm respeito...

Uma pena, pq eu amava a X!